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Lado B – O lado obscuro do Rock, por Marcelo Pizarro


PINK FAIRIES – Março/2018

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Kings_Of_OblivionO Pink Fairies é uma daquelas bandas que quanto mais ouvimos, mais gostamos. Donos de uma sonoridade crua, suja e arrojada, com vocais rudes e arranjos que vão dos riffs pesadíssimos à climas viajantes tanto em suas próprias composições, como em covers, de clássicos como The Beatles, “Tomorrow Never Knows” e “I Saw Her Standing There”, e The Ventures “Walk Don’t Run” e “Ghost Riders in the Sky”.

Iniciaram sua carreira tocando em festivais pela Inglaterra, como Isle of Wight, Bath festival, Phun city, Glastonbury, Windsor e outros, com temas que falavam de drogas e proclamavam a anarquia ampla, geral e irrestrita seguindo a temática Deviants de ser e inspirando uma geração de ícones do movimento punk Rock, como John Lydon e Sid Vicious do “Sex Pistols”.

O nome da banda veio de uma história escrita pelo agente do Deviants, Jamie Mandelkau, chamada “Pink Fairies motorcycle club and all-star rock and roll band” para um show de Farren, apresentado simplesmente como “The Pink Fairies”, na Manchester University em 1969, onde o segundo baterista foi o ex “The Pretty Things”, Twink, que os Fairies já haviam acompanhado na gravação de seu disco solo “Twink Pink”.R-2409048-1443906444-9073.jpeg

O Pink Fairies, em sua fase áurea, gravariam três excelentes discos que são: ”Never neverland” 1971(com participação de Twink), “What a bunch of sweeties”1972, quando o guitarrista Paul Rudolph, para preservar sua própria vida, deixa a banda por não aguentar mais os excessos e a vida “loka” de seus companheiros, sendo substituído pelo guitarrista Mick Wayne (ex- David Bowie), que depois de dois shows e a gravação dos singles “Well well well” e “Hold on”, foi demitido por discordâncias sobre a direção musical da banda, sendo convocado para seu posto, o futuro “Motorhead”, o excelente guitarrista, Larry Wallis, assumindo a linha de frente dos Fairies e gravando assim o terceiro álbum, o ótimo “Kings Of Oblivion” 1973.

What_a_Bunch_of_Sweeties_(Pink_Fairies_album_-_cover_art0Em 1987 a banda ainda gravaria o quarto álbum, “Kill’Em And Eat’Em, com o trio Russel, Sanderson e Wallis e ainda o baterista Twink e o guitarrista Andy Colquhon, mas a grande fase da banda já havia passado.

Apesar de muito aclamada no circuito alternativo e também pelos universitários e hippies de plantão, a banda nunca alcançou as grandes massas e com o passar dos tempos acabou jogada no pântano das obscuridades musicais.

 

Sensacional!

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ARMAGEDDON – Fevereiro/2018

cover_34479482009(clique nas capas para ouvir!)

O álbum homônimo “Armageddon” de 1975 é uma dessas obras de arte do rock universal.

Com seus timbres alucinantes de guitarra, seus compassos quebrados (mistos), ótimos vocais, solos de harmônica e guitarra que dialogam entre si, onde todas as faixas são interligadas contando uma história, só encontrando precedentes no maravilhoso álbum homônimo “Captain Beyond I”, onde o baterista era o próprio Caldwell.

cover_2521914112017_rPara tristeza dos amantes do hard rock a banda terminaria um ano depois e Relf voltaria a Inglaterra para retomar os ensaios com a nova banda “Illusion”, novamente com sua irmã Jane nos vocais, mas o seu tempo em nossa realidade estava terminando. Keith Relf morre vítima de um choque elétrico do instrumento que mais amava: sua guitarra.

O “Illusion” ainda gravaria mais dois álbuns: “Out of the mist” 1978 e “Illusion”1979 e mais duas raridades “demo” após o fim do grupo em homenagem ao falecido Keith.

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FAT MATTRESS – Janeiro/2018

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R-448587-1114891727.jpgProjeto paralelo do baixista do “The Jimi Hendrix Experience”, e também ótimo guitarrista, Noel Redding e talvez o principal motivo de seu desentendimento com Jimi, pois, algumas vezes as turnês, gravações ou atividades promocionais da banda, coincidiam com datas importantes do “Experience”, causando um mal estar em ambos os lados.

Com lindas canções e um primoroso trabalho instrumental com fortes tendências psicodélicas, e pitadas de rock progressivo e folk, a banda que contava com: Noel Redding-guitarra e vocal, Jimmy Leverton-baixo, Eric Dillon-bateria e Neil Landon-vocal, gravou dois ótimos álbuns; “Fat Mattress” 1969 e “Fat Mattress II”1970.

Apesar de nunca terem conseguido muita notoriedade, a banda agradava em cheio a um público mais alternativo como universitários, artistas e também aqueles que sempre procuravam por um som diferente, digamos assim, mais underground.

Em 2003 a “Experience Hendrix L.L.C.” lançou uma compilação de “takes” do Experience, produzidos por Chas Chandler, e pelo R-1118648-1436387676-1442.jpegpróprio Jimi Hendrix; o excelente álbum “Noel Redding The Experience Sessions”, que mostra esse lado mais guitarrístico e vocal de Redding, numa justa homenagem a esse tão importante personagem do universo Rock’n’Roll; no ano de sua morte.

Redding ainda participaria em 1972 do ótimo álbum “Lord Sutch and Heavy Friends” ao lado de pesos pesados como Jimmy Page, Jeff Beck, John Bonham, Nick Hopkins entre outros e, já morando na Irlanda, formaria ainda a banda “The Noel Redding Band”, com quem gravaria dois bons álbuns; “Clonakilty Cowboys” 1975 e “Blowin”1976. Várias faixas foram gravadas para um terceiro álbum e foram lançadas em CD, pela Mousse Records, como “The Missing Album”, mas em 1972, lançaria sua grande “pérola”.

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LUCIFER’S FRIEND – Dezembro/2017

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lucifers-friend-52cc70fdf057c Quando falamos de rock alemão logo nos vem à mente bandas como o progressivo”Triumvirat”, o eletrônico “Kraftwerk”, o kraut rock do “Neu”,”Faust”,”Can”, “Necronomicon”, ou seja, vertentes da vanguarda e do experimentalismo. Mas todos com uma coisa em comum: a incrível capacidade instrumental para a fusão de muitos elementos de outros estilos musicais como o clássico, o Jazz, a vanguarda erudita e até o Pop.
Asterix Com o Lucifer’s friend não foi diferente. A banda começou quando ex-integrantes do “German Bonds” se juntaram ao vocalista britânico Jonh Lawton (ex-Stonewall) para a gravação d o primeiro álbum, ainda sob o nome de “Asterix” em 1970, uma verdadeira raridade no mundo do vinil.
O fato é que esse álbum abriu o caminho para que no mesmo ano, já com o nome de Lucifer’s friend lançassem o disco homônimo, que foi simplesmente Where The Groupiesarrebatador, com um hard rock vigoroso, criativo, de extrema competência instrumental, que com certeza influenciou muita gente na década de 1970. Os quatro primeiros discos da banda foram bastante conceituais, acentuando claramente um estilo diferente em cada um deles. O segundo álbum, “Where the Groupies Killed the Blues”, tomou um caminho mais experimental no rock progressivo e psicodélico. O terceiro, “I’m Just a Rock ‘n Roll Singer”, foi mais para o lado das garage bands com temas como a vida na estrada, ou a liberdade do tipo “Sem destino” (“Easy Rider”). Já o quarto álbum, “Banquet”, apresentou composições mais baseadas numa fusão de jazz-rock bastante interessante.
Sumo GripEm 76 o vocalista John Lawton deixou a banda para juntar-se ao “Uriah Heep” e a partir daí o Lucifer’s Friend foi tomando um caminho cada vez mais comercial , com álbuns não muito bem recebidos pelos fãs, como no caso de “Good Time Warrior” de 1978 e “Sneak Me In” de 1980. Com a volta de Lawton, que depois de ter gravado um álbum solo (“Heartbeat”), muito parecido com o som da sua velha banda em todos os aspectos, o grupo lança o álbum “Mean Machine”, já com um estilo mais voltado para o heavy metal, chegando à dissolução da banda m 1982. Em 1990 reuniram-se para a gravação do último álbum, “Sumo grip”.
Um grande abraço, boas festas e até a próxima!
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Integrantes:
Jonh Lawton (vocal)
Peter Hesslein (guitarra, vocal)
Peter Hecht (piano, teclados)
Dieter Horns (baixo)
Joachim Rietenbach (bateria)

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HAWKWIND – Outubro/2017

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O lado B deste mês trata desta verdadeira instituição do Rock Inglês, o genial decano do Space Rock: Hawkwind.

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Formado no final dos anos 60 pelo guitarrista David Brock e pelo saxofonista Nik Turner, depois de algumas mudanças de nome e de muitas mudanças de integrantes, a banda se mantém em atividade até os dias de hoje. Resistindo aos modismos e à comercialização, permanece fiel a sua proposta inicial, com seu som inconfundível, misturando riffs pesados com fraseados de guitarra e teclados, além de letras delirantes inspiradas em ficção científica, fantasia e física quântica.

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Em suas muitas formações, mas sempre sob a liderança de David Brock, já passaram figuras das mais incríveis pelo grupo, como o escritor Michael Murkock, o poeta e vocalista Bob Calvert, o grande baterista Ginger Baker (Cream) e é claro o baixista e vocalista Lemmy Kilmister, futuro fundador da banda Motörhead.

 

Embora nunca tenha encerrado suas atividades, o Hawkwind passou um tempo sem alcançar grande repercussão em meados dos anos 80, justamente devido a essa característica marcante da banda de não sucumbir a modismos e ao mercado. Mas voltaram a velha forma com o álbum Space Bandits de 1990 e trabalhos seguintes como o genial The Chronicle of the Black Sword, inspirado no personagem “Elric” de Michael imagesCAGNSFG1Murkock. Esses discos foram o suficiente para renovar o interesse pela banda pelas novas gerações.

 

Pois então, mais de 40 anos de estrada, mais de 20 álbuns lançados e os mais representativos músicos do cenário do rock mundial e você pode estar se perguntando agora: como nunca ouvi falar desses caras? Esta é uma ótima oportunidade para conhecê-los.

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Um grande abraço e até a próxima!

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WISHBONE ASH – Setembro/2017

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unnamed (1)Apesar de não serem muito conhecidos pelo grande público, o Wishbone Ash tem uma vasta discografia, muitos fãs pelo mundo e acima de tudo um grande amor pela música e pelos palcos, o que proporcionou uma carreira ininterrupta desde 1970 até os dias de hoje, com albums que são verdadeiras obras primas na história do Hard Rock e ainda alguns ótimos registros de shows ao vivo. A banda começou em 1966 com os irmãos Glen Turner (guitarra),unnamed Martin Turner (baixo e vocal) e Steve Upton (bateria), na pequena cidade de Exetel na Inglaterra e chamava-se “Empty Vessels”. Esse nome não duraria muito e partiram para Londres já com o nome de “Tanglewood”.

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O grupo já estava quase desistindo quando foram chamados para abrir um show da banda The Yardbirds. Miles Copeland que ficou muito impressionado com o show, ofereceu-se como empresário da banda. Nesse momento o guitarrista Glen Turner deixa a banda e a dupla Martin e Steve fica em Londres para continuar o projeto.

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Eles precisavam de um novo guitarrista e Miles distribui panfletos pela cidade convocando os candidatos.Durante as audições gostaram muito de dois guitarristas. David Ted Turner e Andy Powell. Eles decidiram não contratar um tecladista e ficaram com os dois. As influências musicais dos novos integrantes foram incorporadas ao som do grupo. Powell com o Soul e David mais próximo do Blues norte americano que fundiram-se perfeitamente ao estilo Hard Rock e que já tinha umas pitadas de Jazz. Nesta fusão de estilos diferentes nasceu oficialmente o Wishbone Ash.

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pastedImage (1)No inicio sofreram bastante por falta de espaço para tocar em Londres até que Miles fez um contato com o produtor do Deep Purple que gostou muito do som grupo e os indicou à gravadora Decca. O curioso é que fecharam o primeiro contrato nos EUA epastedImage não na Inglaterra. Apesar do perfeito entrosamento entre baixo e bateria, com grooves que passeiam por vários estilos entre o Hard Rock e o Jazz, o ponto alto dos arranjos do Wishbone Ash, com certeza, era o perfeito entrosamento entre as duas guitarras e apesar da origem do termo “guitarras gêmeas” ser muito discutido entre pesquisadores, críticos e colecionadores (que creditam ter sua origem a grupos como The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd, Thin Lyzzy entre outros), todos são categóricos em afirmar que foi o Wishbone Ash quem solidificou esse estilo principalmente no terceiro LP da banda: “Argus”.

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Após várias mudanças de integrantes, o que obviamente alterou significativamente o estilo da banda, uma coisa nunca mudou. A vontade de cair na estrada e fazer o que eles mais sabem, o Rock’n’Roll.

Um grande abraço e até a próxima!

 

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BLUE OŸSTER CULT – Agosto/2017

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bos2Muitas bandas entraram no cenário do rock com discos de estréia arrasadores e dentro dessas muitas bandas, o Estadunidense Blue Oÿster cult se destaca como um dos discos de estréia mais arrasadores da história do Hard rock. Depois de muitas mudanças de nome, como “Soft White Underbelly”, “Oaxaca” e “Stalk forrest Group”, de diferentes integrantes e de terem muitos álbuns recusados pelas gravadoras, foi depois de assinarem contrato com a Columbia Records e adotarem o nome de Blue Oÿster Cult que em 72 lançaram seu primeiro álbum homônimo.
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Apesar desse álbum arrasador o BOC demorou algum tempo para conseguir reconhecimento e credibilidade, já que naquela época todos os grandes expoentes do rock pesado vinham da europa, especialmente da Inglaterra, e taboc1mbém devido a complexidade de seus arranjos pouco convencionais que já fundiam hard com pitadas de country e jazz e mesclando momentos bastante sutís com petardos alucinantes. Nessa mesma toada gravaram em 73 o excelente álbum”Tyranny and Mutation”. A virada veio com a gravação do terceiro álbum “Secret Treaties” em 74 que fez com que a banda conseguisse mais notoriedade e foi em 76 que emplacaram seu primeiro grande hit “Don’t Fear the Reappers” do álbum “Agents of fortune”, que inclusive fez parte da trilha sonora do filme “Halloween”. Veio depois, em 81, o maior hit da banda”Burning For You” do álbum “Fire The Unknow origin”.

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boc4A banda sempre se destacou por suas letras com temáticas baseadas em literatura de horror e ficção científica inspirados por escritores como Edgar Allan Poe, Stephen King e H.P. Lovecraft e apesar de terem poucos fãs e não serem grandes vendedores de discos, os seus shows eram incrivelmente cativantes, com seus efeitos especiais, luzes, muito laser e performances arrasadoras que renderam a “BOC” vários álbuns ao vivo como “On Your Feet or On Your Knees” (75), “Some Enchanted Evening” (78), “Extraterrestrial Live” (82), entre outros. A banda, apesar de algumas mudanças de componentes, se mantém em atividade até os dias de hoje mas por enquanto sem lançar nada novo, apenas algumas compilações e sobras de estúdio.
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Um grande abraço e até a próxima!
Integrantes:
Eric Bloom (vóz e guitarra)
Buck Dharma (guitarra e vocal)
Allen Larnier (teclado e vocal)
Joe Bouchard (baixo e vocal)
Albert Bouchard (bateria e vocal)
Richie Castellano (teclado e vocal em 2004)
Jules Radino (bateria em 2004)
Rudy Sarzo (baixo em 2008)
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